além das fronteiras

Existem escritoras que não nasceram na América Latina, mas têm a genealogia, a ascendência, latinoamericana e trazem isso para dentro dos seus textos. Muitas, inclusive, viveram ou vivem em deslocamento, em geral,  entre Estados Unidos ou países da Europa e a América Latina.

São mulheres que têm culturalmente e afetivamente estão muito mais para o lado de cá das Américas, no sul global.



Algumas são consideradas nos Estados Unidos, por exemplo, como chicanas, vivendo nas comunidades latinas e a bem da verdade sofrendo bastante preconceito também. Mostram que identidade e pertencimento não são contas matemáticas e enchem o nosso coração de amor e orgulho.



E pensando nessas mulheres cujas identidades são feinteiriças, que escrevem ressignificando territórios, onde as linhas geográficas são borradas para dar lugar ao pertencimento e à afetividade, a Vértebra Latina, honrosamente destaca 4 nomes muito especiais. 


🇲🇽Glória Anzaldúa, mulher americana, filósofa, feminista decolonial, chicana, lésbica e que tece uma luta brilhante em prol das mulheres ao sul global, mostrando que é preciso romper com o sujeito colonial. Em seu clássico ensaio Falando em línguas, que saiu no livro a Vulva é uma ferida aberta e outros ensaios, pela editora A bolha, com tradução da querida Tatiana Nascimento, Glória nos diz que as mulheres ao sul global, na América Latina e no terceiro mundo, especialmente as racializadas, não podem esperar ter todas as condições perfeitas para exercer a escrita. É preciso dizer, aqui e agora, tudo aquilo que dói, e também sobre as lutas.

🇩🇴 A dominicana Júlia Alvarez, que coloca nos seus livros a temática do enfrentamento à ditadura de Frujilo, e outras demandas da sua terra, evidenciando inclusive a força e a potência das irmãs Mirabal -  poderosas militantes que lutaram e morreram pela liberdade - , em no tempo das Borboletas.

🇺🇾 A uruguaia Carolina de Robertis, que ambienta muitas de suas obras no país sulamericano, como a importantíssima Cantoras, que também tratará da ditadura e das questões de gênero no cone sul, bem como O presidente e o Sapo, que conta divertidas histórias de Pepe Mujica na cadeia.

🇲🇽 E por fim a mexicana Sandra Cisneiros, que nos brinda com cores, cheiros e potências, mostrando as tensões culturais e de classe em A Casa da Rua Mango, que revela os meandros de um reduto periférico latino dos Estados Unidos.

Não sou boba e sei que tem muito mais, então conta pra mim qual livro não poderia ter faltado aqui.

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