Dia Internacional da Luta das Mulheres

A primeira collab da Vértebra Latina veio aí. O Leia Mulheres Goiânia, o clubinho mais amado da cidade, completa este ano 7 anos e juntos resolvemos fazer um post muito especial para esta data. O desafio era percorrer os muitos kilômetros da América Latina por meio de uma série de livros escritos por mulheres, provando que o nosso norte, o nosso caminho é o sul.

 


Sabemos que os desafios de ser mulher em uma das regiões mais perigosas para isso é uma luta diária de dores que nos atravessam. Sabemos também que há muito tempo o cânone tradicional e ocidental é um cânone excludente, que tenta nos apagar, nos objetificar e nos colocar como meros adereços no entorno de homens, muitas vezes mais medíocres do que nós.

Impostar as nossas vozes para falar sobre o que quisermos, por meio da literatura, é, por si só, resistir. Não existe um único tipo de mulher. Não existe uma única voz feminina. Muito menos um único jeito de escrevermos. São nas singularidades, nas diferenças, nas existências e permanências que propomos novos olhares e críticas para a realidade.

Aqui, ao sul global, propomos algumas obras, autoras e leituras que podem ser muito bacanas neste boom contemporâneo de mulheres latinas que tem roubado a cena do mercado editoral. Ufa, ainda bem. Nosso dia é todo dia, mas que bom que temos um marco para fazer ouvir tanta pluralidade.


- um corpo negro | Lubi Prates (Brasil)

a publicação de um corpo negro foi e continua sendo um marco na poesia e na literatura Brasileira. Um livro curto, potente, que deveria ser leitura obrigatória se queremos compreender as questões da américa afro-latina. Editora, poeta, psicóloga e entusiasta cultura, Lubi já é uma das grandes vozes do nosso tempo. O livro saiu pela nosotros, editorial, que era capitaneada por ela, mas encerrou suas atividades. Uma editora de guerrilha. Finalista do Jabuti, um corpo negro merece todas as boas coisas que são ditas a respeito dele.

 




- A autobiografia da minha mãe | Jamaica Kincaid (Antígua e Barbuda)

 

Jamaica Kincaid traz neste livro a dor, a perda a falta e a memória, sempre ela, que honra os mortos. É uma ideia de pensar o estar no mundo, o lugar e a identidade de uma mulher que durante muito tempo foi conhecida como aquela que não tinha mãe e abandonada pelos que estavam à sua volta. Crueza e brutalidade trazem uma escrita feroz e sem amarras que fala do trauma, do perder as referências e da necessidade de se refazer para continuar existindo. Baita livro!.




- Space Invaders | Nona Fernández (Chile)

Essa foi uma das leituras surpreendentes que me fez ficar fã da curadoria da Editora Moinhos. Com maestria, a Nona Fernández mostra como é crescer em um Chile marcado pela ditadura e o autoritarismo, entrelaçando a vida de adolescentes que estudam juntos, mas não são nada iguais. Cada um com suas experiências tenta sobreviver a uma das fases mais difíceis da vida e vai driblando os conflitos e entendendo as muitas descobertas. Curto e certeiro.

 

 


 

- Os Cristais do sal | Cristina Bendek (Colômbia)

Victoria Barug volta à San Andrés, sua terra natal, e começa a fazer uma série de descobertas a respeito da sua ancestralidade. Conforme a narrativa avança, conhecemos as tensões que permeiam as cidades caribenhas colombianas, tão distantes do continente, esquecidas do poder público e com configurações próprias que remontam tanto à colonização predatória da América Latina. Um livro que realmente me colocou para pensar em como não sabemos nada sobre esta terra que é tão nossa.




- Clara da Luz do Mar | Edwidge Danticat (Haiti)

Este livro é belíssimo ao mesmo tempo em que é intenso e triste. Que tapa na cara Edwidge nos dá ao mostrar a história da doce Clara, órfã de mãe e que o pai faz de tudo para conseguir vê-la sobreviver. Lições sobre o maternar, entrelaçando questões de raça e classe, colocando no centro do debate as relações humanas e as fragilidades das pessoas deste vilarejo que enfrentam, cada um a sua maneira suas próprias dores. Impossível não se emocionar. Impossível sair ileso. Que escrita potente!





- Temporada de furacões | Fernanda Melchor (México)

Uma bruxa é encontrada morta em La Matosa. A partir daí um vozerio de pessoas é deflagrado em uma escrita em vertigem. Quase sem pausas e respiros, Fernanda Melchor nos mostra os personagens dessa trama que revela a misoginia, a homofobia e as mesquinhesas das pessoas. La Matosa é um microcosmos das sociedades que são implacáveis em julgar e maltratar e pouco eficazes em acolher. Fico realmente muito impressionada com esse livro, com essa escrita. Um livro pra ser lido lendo, atento em cada detalhe. Maravilhoso.




- Pra te comer melhor | Giovanna Rivero (Bolívia) 

Este é o desejante da lista. Giovanna Rivero tem uma escrita impressionante, poderosa e desconcertante. Sou apaixonada por ela desde Terra fresca da sua tumba e mal posso esperar por essa leitura. Deixo aqui o texto da editora: "Pra te comer melhor avança de lá de baixo como um zumbido lento, mas desmesurado. O leitor não tem escolha e deve ir às profundezas. É preciso descer onde ninguém mais se atreve, diz um personagem – e essa é a obsessão de seus conto". Ow, vamos descer e mergulhar nesta preciosidade. 

 

 


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